Alep aprova aviso obrigatório à OAB-PR sobre violência doméstica com advogados
Delegacias terão 48 horas para comunicar ocorrências de forma sigilosa; medida permite abertura de processos disciplinares e apoio a vítimas
Os fatos
- Quem
- Assembleia Legislativa do Paraná (Alep)
- O quê
- Aprovação do projeto de lei nº 766/2026, que obriga delegacias a comunicar à OAB-PR, em até 48 horas, casos de violência doméstica e familiar envolvendo advogados (seja a vítima advogada ou o suspeito inscrito na Ordem)
- Quando
- terça-feira (27)
- Onde
- Curitiba, Paraná
- Por quê
- Ampliar a rede de proteção às vítimas, reforçar o acompanhamento institucional dos casos e permitir que a OAB abra processos disciplinares contra advogados agressores
- Como
- Por meio de votação de projeto assinado pela Mesa Diretora (Alexandre Curi, Gugu Bueno e Maria Victoria) e coautoras; informações serão enviadas de forma sigilosa ao setor responsável da OAB-PR, dependendo de autorização expressa quando a vítima for advogada
A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou, nesta terça-feira (27), em Curitiba, o projeto de lei nº 766/2026, que obriga delegacias a comunicarem casos de violência doméstica envolvendo advogados à OAB-PR.
A notificação deve ser feita no prazo de até 48 horas para subsidiar o acompanhamento institucional e a abertura de processos disciplinares contra agressores inscritos no órgão de classe. A proposta foi apresentada pela Mesa Diretora da Casa — integrada pelo presidente Alexandre Curi, o primeiro-secretário Gugu Bueno e a segunda-secretária Maria Victoria — em conjunto com coautoras.
De acordo com a matéria legislativa, os dados sobre as ocorrências devem ser encaminhados de maneira sigilosa ao setor responsável da seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil. Nos registros em que a vítima for mulher advogada, o compartilhamento dos autos fica condicionado à apresentação de sua autorização expressa.
O presidente da Alep, Alexandre Curi, afirmou que a iniciativa reforça o sistema de atendimento estadual. Segundo Curi, o texto representa uma medida voltada ao atendimento das pessoas atingidas: "e este projeto é mais uma ação no sentido de garantir amparo e apoio para vítimas de violência doméstica", declarou o parlamentar.
Para a deputada Maria Victoria, a integração entre segurança pública e a entidade de classe combate o isolamento das ocorrências. "Não podemos admitir que a violência doméstica continue sendo tratada como um problema restrito à vida privada. É uma questão que exige o envolvimento de toda a sociedade e de suas instituições. É mais um instrumento para que os agressores sejam responsabilizados", afirmou a segunda-secretária.
O deputado Gugu Bueno detalhou o papel conferido à instituição jurídica com a nova regra de tramitação. "Com esse projeto, estamos criando um caminho para que a OAB possa acompanhar mais de perto os casos que envolvem profissionais da advocacia, oferecendo apoio às vítimas e adotando as providências cabíveis quando houver indícios de irregularidades", disse o primeiro-secretário.
Aline Andrioli, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-PR, pontuou que a proposta se insere em um contexto no qual as Procuradorias da Mulher já alcançam quase 230 cidades do Paraná. Para a representante da comissão, a medida é "mais um instrumento para a gente combater as várias violências que elas sofrem".
Andrioli também destacou o caráter inédito da norma na região: "O estado do Paraná, no Sul, é o primeiro estado a ter essa lei de comunicação imediata, de até 48 horas". O texto aprovado pelo plenário segue os trâmites do processo legislativo estadual.
Perguntas frequentes
›Qual é o prazo para as delegacias comunicarem a OAB-PR?
O projeto de lei nº 766/2026 estabelece que as delegacias de polícia devem fazer a comunicação à OAB-PR no prazo de até 48 horas.
›O que acontece se a vítima da violência doméstica for advogada?
Quando a vítima for advogada, o envio das informações de forma sigilosa ao setor responsável da OAB-PR dependerá de sua autorização expressa.
›Quem são os autores do projeto na Assembleia Legislativa?
A proposta foi assinada pela Mesa Diretora da Alep — formada por Alexandre Curi, Gugu Bueno e Maria Victoria — juntamente com deputadas coautoras.







