Atendimentos a idosos crescem mais de 13% em dois anos e mudam rotina em hospital
Pacientes com 60 anos ou mais somaram 68.853 assistências em 2025, exigindo equipes multiprofissionais e novos protocolos para internação e recuperação.

Os fatos
- Quem
- Hospital Universitário Cajuru
- O quê
- O envelhecimento populacional alterou o perfil dos atendimentos hospitalares, elevando a demanda por cuidados multidisciplinares e tratamentos de doenças crônicas e comorbidades em pacientes idosos
- Quando
- 2025
- Onde
- Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba
- Por quê
- Aumento da longevidade da população brasileira, crescimento da proporção de pessoas com 60 anos ou mais e alta prevalência de doenças crônicas nessa faixa etária
- Como
- Por meio da atuação de equipes multiprofissionais (médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos e enfermagem) e da criação de protocolo assistencial específico para idosos com fratura de quadril
O avanço da longevidade alterou o perfil assistencial do Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, que registrou 68.853 atendimentos a pacientes com 60 anos ou mais em 2025.
A mudança ocorre devido ao envelhecimento populacional e à prevalência de comorbidades na terceira idade, o que exigiu a atuação conjunta de médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, fonoaudiólogos e enfermagem, além da criação de um protocolo específico para idosos com fratura de quadril.
O volume de atendimentos a pessoas com 60 anos ou mais cresceu mais de 13% em dois anos na unidade hospitalar, passando de 60.627 registros em 2023 para 68.853 em 2025. Esse segmento representou 39,1% do total de assistências realizadas pelo hospital no último ano levantado.
Quando somados aos pacientes de 41 a 59 anos, que responderam por 32,7% das ocorrências, o público a partir de 41 anos concentrou 71,8% da demanda hospitalar em 2025. O cenário acompanha a presença constante de enfermidades crônicas: cerca de 70% dos idosos apresentam ao menos uma doença crônica e quase 3 em cada 10 convivem com duas ou mais.
"São pessoas que, em geral, apresentam maior fragilidade, convivem com diversas doenças e utilizam vários medicamentos, o que muda o tipo de cuidado que precisamos oferecer", explica Larissa Hermann, médica da equipe de clínica médica do Hospital Universitário Cajuru.
A complexidade clínica estende o período de internação e exige maior suporte terapêutico. "Um paciente de 50 anos que sofre uma fratura de quadril geralmente recebe alta um ou dois dias após a cirurgia. Já um idoso pode permanecer internado por quatro ou cinco dias para recuperar as condições necessárias para receber alta com segurança, como estabilizar a hidratação, melhorar a nutrição, recuperar a força e voltar a caminhar", relata Larissa Hermann.
A transformação na rotina do hospital reflete a transição demográfica observada em âmbito nacional. No Brasil, a participação da população com 60 anos ou mais subiu de 11,3% em 2012 para 16,6% em 2025, enquanto a parcela de pessoas com menos de 30 anos encolheu de 49,9% para 41,4% no mesmo intervalo.
Aliada à redução proporcional de jovens, a longevidade dos brasileiros também avançou historicamente. Em 1940, a expectativa de vida adicional ao completar 60 anos era de 13,2 anos, patamar que alcançou 22,6 anos adicionais no cenário atual.
Perguntas frequentes
›Qual foi o crescimento dos atendimentos a idosos no Hospital Universitário Cajuru?
Os atendimentos a pessoas com 60 anos ou mais subiram mais de 13% em dois anos, passando de 60.627 registros em 2023 para 68.853 em 2025.
›Qual parcela dos atendimentos do hospital corresponde a pacientes idosos?
Em 2025, os pacientes com 60 anos ou mais representaram 39,1% do total de atendimentos do Hospital Universitário Cajuru.
›Quais medidas o hospital adotou para atender ao envelhecimento dos pacientes?
A instituição mobilizou equipes multidisciplinares com médicos, enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e nutricionistas, além de estruturar um protocolo assistencial focado em idosos com fratura de quadril.
›Por que a internação de idosos com fratura de quadril costuma demorar mais?
Segundo a médica Larissa Hermann, enquanto um paciente de 50 anos costuma ter alta em um ou dois dias após a cirurgia, o idoso pode demandar de quatro a cinco dias de internação para estabilizar a hidratação, nutrição, força muscular e marcha.







