Uso de terraço eleva microbiota do solo e reduz gastos no campo

Publicado em 30/10/2026 às 13:53
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Monitoramento da Rede Agropesquisa no Paraná aponta alta de até 117% em esporos de fungos benéficos em áreas conservacionistas.

Uso de terraço eleva microbiota do solo e reduz gastos no campo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

Os fatos

Quem
Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa), coordenada pelo pesquisador Arnaldo Colozzi Filho (IDR-Paraná), com apoio do Sistema FAEP e da Fundação Araucária
O quê
Estudo sobre a microbiota do solo ('vida invisível') aponta que práticas conservacionistas, como o uso de terraço, garantem lavouras mais produtivas, maior atividade biológica e economia com adubos e defensivos
Quando
Monitoramento realizado desde 2018
Onde
Paraná (em seis regiões do estado, incluindo Toledo, Dois Vizinhos e Cambé)
Por quê
Para avaliar a importância da biota do solo e os impactos do manejo conservacionista (com e sem terraço) na retenção de água, nutrientes e microrganismos benéficos
Como
Monitoramento comparativo de áreas com e sem terraço em seis regiões do Paraná, analisando decomposição de palhada, ciclagem de nutrientes e diversidade de microrganismos como Fungos Micorrízicos Arbusculares

Práticas de manejo conservacionista ampliam a atividade biológica do solo e garantem maior rentabilidade nas lavouras do Paraná, segundo estudo da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa) divulgado com dados coletados desde 2018.

A pesquisa foi estruturada para avaliar a importância da biota do solo e os reflexos do manejo com e sem terraço na retenção de água, nutrientes e microrganismos benéficos. O trabalho de campo acompanhou a decomposição de palhada, a ciclagem de nutrientes e a presença de microrganismos como Fungos Micorrízicos Arbusculares em seis regiões produtivas do estado, incluindo municípios como Londrina, Cambé, Toledo e Dois Vizinhos.

Os levantamentos indicaram diferenças na quantidade de esporos de fungos benéficos entre as áreas estruturadas com terraceamento e as áreas sem a contenção física. Em Toledo, no oeste paranaense, a presença de esporos nas áreas com terraço foi 117% maior. Em Dois Vizinhos, no sudoeste, o índice foi 39% superior, enquanto em Cambé, no norte, a contagem registrou elevação de 14% nos terrenos terraceados.

O pesquisador Arnaldo Colozzi Filho, doutor em Agronomia do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e coordenador do estudo, explica que a conservação física reflete de forma direta no ecossistema subterrâneo. "A biota do solo é fundamental para o sistema solo-planta. Bactérias, fungos, minhocas, besouros, formigas e uma infinidade de outros organismos formam, junto da água, ar e componentes físicos e químicos, o chamado ‘solo vivo’", afirma.

Segundo o pesquisador, a manutenção dessa estrutura biológica traz retorno financeiro imediato à propriedade. "O resultado prático aparece direto no bolso do produtor. A biota vai possibilitar menor adubação com químicos, menor uso de herbicidas e fungicidas. Ou seja, quanto mais ativa e diversificada essa vida no solo, menos insumo externo o produtor precisa usar e maior a rentabilidade da lavoura", destaca Colozzi Filho.

O trabalho científico conta com a parceria e apoio do Sistema FAEP e da Fundação Araucária no suporte financeiro e institucional. O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, ressalta a importância da validação a campo para os produtores paranaenses. "O Sistema FAEP tem priorizado pesquisas a campo, porque sabemos que o futuro da agropecuária paranaense passa pela ciência", aponta Meneguette.

O dirigente reforça ainda a necessidade de continuidade das estratégias de preservação para manter os índices produtivos estaduais. "É preciso garantir que o solo continue produtivo para as próximas gerações. Por isso, seguimos apoiando essas parcerias com universidades e instituições de pesquisa. É assim que o Paraná se mantém na vanguarda de uma agropecuária moderna, sustentável e competitiva", acrescenta o presidente da entidade.

A pesquisa alerta, por outro lado, para os prejuízos causados pela negligência nas práticas de conservação de solo e água. Conforme sintetiza Arnaldo Colozzi Filho ao avaliar os cenários observados desde 2018, "se perde muito do resultado da produção agrícola com o manejo inadequado do solo".

Perguntas frequentes

›Qual foi a principal conclusão do estudo da Rede Agropesquisa no Paraná?

A pesquisa comprovou que práticas conservacionistas, especialmente o uso de terraço, aumentam a atividade biológica do solo, retêm mais água e nutrientes e permitem reduzir gastos com adubos e defensivos agrícolas.

›Quais regiões apresentaram aumento de microrganismos nas áreas com terraço?

O monitoramento realizado em seis regiões do Paraná identificou aumento na quantidade de esporos de fungos benéficos de 117% em Toledo, 39% em Dois Vizinhos e 14% em Cambé nas áreas com terraço.

›Quem coordena e apoia a pesquisa sobre a microbiota do solo?

O estudo é conduzido pela Rede Agropesquisa sob coordenação do pesquisador Arnaldo Colozzi Filho, do IDR-Paraná, e conta com o apoio do Sistema FAEP e da Fundação Araucária.

Redação Vozes ParanaensesSudoeste · PR
Corrigir esta matériaPolítica editorialConteúdo produzido com assistência de IA e revisão humana.
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