Uso de terraço eleva microbiota do solo e reduz gastos no campo
Monitoramento da Rede Agropesquisa no Paraná aponta alta de até 117% em esporos de fungos benéficos em áreas conservacionistas.

Os fatos
- Quem
- Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa), coordenada pelo pesquisador Arnaldo Colozzi Filho (IDR-Paraná), com apoio do Sistema FAEP e da Fundação Araucária
- O quê
- Estudo sobre a microbiota do solo ('vida invisível') aponta que práticas conservacionistas, como o uso de terraço, garantem lavouras mais produtivas, maior atividade biológica e economia com adubos e defensivos
- Quando
- Monitoramento realizado desde 2018
- Onde
- Paraná (em seis regiões do estado, incluindo Toledo, Dois Vizinhos e Cambé)
- Por quê
- Para avaliar a importância da biota do solo e os impactos do manejo conservacionista (com e sem terraço) na retenção de água, nutrientes e microrganismos benéficos
- Como
- Monitoramento comparativo de áreas com e sem terraço em seis regiões do Paraná, analisando decomposição de palhada, ciclagem de nutrientes e diversidade de microrganismos como Fungos Micorrízicos Arbusculares
Práticas de manejo conservacionista ampliam a atividade biológica do solo e garantem maior rentabilidade nas lavouras do Paraná, segundo estudo da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada (Rede Agropesquisa) divulgado com dados coletados desde 2018.
A pesquisa foi estruturada para avaliar a importância da biota do solo e os reflexos do manejo com e sem terraço na retenção de água, nutrientes e microrganismos benéficos. O trabalho de campo acompanhou a decomposição de palhada, a ciclagem de nutrientes e a presença de microrganismos como Fungos Micorrízicos Arbusculares em seis regiões produtivas do estado, incluindo municípios como Londrina, Cambé, Toledo e Dois Vizinhos.
Os levantamentos indicaram diferenças na quantidade de esporos de fungos benéficos entre as áreas estruturadas com terraceamento e as áreas sem a contenção física. Em Toledo, no oeste paranaense, a presença de esporos nas áreas com terraço foi 117% maior. Em Dois Vizinhos, no sudoeste, o índice foi 39% superior, enquanto em Cambé, no norte, a contagem registrou elevação de 14% nos terrenos terraceados.
O pesquisador Arnaldo Colozzi Filho, doutor em Agronomia do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e coordenador do estudo, explica que a conservação física reflete de forma direta no ecossistema subterrâneo. "A biota do solo é fundamental para o sistema solo-planta. Bactérias, fungos, minhocas, besouros, formigas e uma infinidade de outros organismos formam, junto da água, ar e componentes físicos e químicos, o chamado ‘solo vivo’", afirma.
Segundo o pesquisador, a manutenção dessa estrutura biológica traz retorno financeiro imediato à propriedade. "O resultado prático aparece direto no bolso do produtor. A biota vai possibilitar menor adubação com químicos, menor uso de herbicidas e fungicidas. Ou seja, quanto mais ativa e diversificada essa vida no solo, menos insumo externo o produtor precisa usar e maior a rentabilidade da lavoura", destaca Colozzi Filho.
O trabalho científico conta com a parceria e apoio do Sistema FAEP e da Fundação Araucária no suporte financeiro e institucional. O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, ressalta a importância da validação a campo para os produtores paranaenses. "O Sistema FAEP tem priorizado pesquisas a campo, porque sabemos que o futuro da agropecuária paranaense passa pela ciência", aponta Meneguette.
O dirigente reforça ainda a necessidade de continuidade das estratégias de preservação para manter os índices produtivos estaduais. "É preciso garantir que o solo continue produtivo para as próximas gerações. Por isso, seguimos apoiando essas parcerias com universidades e instituições de pesquisa. É assim que o Paraná se mantém na vanguarda de uma agropecuária moderna, sustentável e competitiva", acrescenta o presidente da entidade.
A pesquisa alerta, por outro lado, para os prejuízos causados pela negligência nas práticas de conservação de solo e água. Conforme sintetiza Arnaldo Colozzi Filho ao avaliar os cenários observados desde 2018, "se perde muito do resultado da produção agrícola com o manejo inadequado do solo".
Perguntas frequentes
›Qual foi a principal conclusão do estudo da Rede Agropesquisa no Paraná?
A pesquisa comprovou que práticas conservacionistas, especialmente o uso de terraço, aumentam a atividade biológica do solo, retêm mais água e nutrientes e permitem reduzir gastos com adubos e defensivos agrícolas.
›Quais regiões apresentaram aumento de microrganismos nas áreas com terraço?
O monitoramento realizado em seis regiões do Paraná identificou aumento na quantidade de esporos de fungos benéficos de 117% em Toledo, 39% em Dois Vizinhos e 14% em Cambé nas áreas com terraço.
›Quem coordena e apoia a pesquisa sobre a microbiota do solo?
O estudo é conduzido pela Rede Agropesquisa sob coordenação do pesquisador Arnaldo Colozzi Filho, do IDR-Paraná, e conta com o apoio do Sistema FAEP e da Fundação Araucária.







