Boca Juniors estampa casa de apostas no Maracanã e desafia norma brasileira

Publicado em 24/10/2026 às 10:55
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Clube argentino exibiu patrocinadora em vitória contra o Vasco na Sul-Americana, levantando debate sobre sanções e alcance de Medida Provisória.

Boca Juniors estampa casa de apostas no Maracanã e desafia norma brasileira

Os fatos

Quem
Boca Juniors
O quê
Estampou a marca de uma casa de apostas (Betsson) em seu uniforme em jogo no Brasil, contrariando Medida Provisória que proíbe publicidade de apostas de quota fixa no país segundo especialistas
Quando
Terça-feira (20)
Onde
Maracanã
Por quê
O clube argentino tem a Betsson como patrocinadora máster em contrato sob a legislação da Argentina
Como
Atuando com o uniforme com a marca da patrocinadora estampada na partida contra o Vasco pela semifinal da Copa Sul-Americana

O Boca Juniors jogou com a marca da casa de apostas Betsson no Maracanã, na terça-feira (20), contrariando Medida Provisória brasileira que restringe a publicidade do setor.

A aparição da patrocinadora máster ocorreu na vitória da equipe argentina por 3 a 1 sobre o Vasco, em confronto válido pela semifinal da Copa Sul-Americana. A agremiação de Buenos Aires mantém vínculo contratual com a empresa firmado sob a legislação da Argentina, mas o ato gerou controvérsia jurídica em virtude da norma anunciada em 25 de setembro pelo governo federal.

Segundo Luiz Augusto D’Urso, advogado especialista em Direito Digital, a equipe estrangeira violou o regramento em território nacional. "O Boca Juniors infringiu a legislação brasileira, porque a Medida Provisória do Lula está em vigor em relação à proibição das bets e esta trouxe a proibição da publicidade. Vale dizer que o clube, ao saber dessa lei em vigor no território nacional, deveria ter vindo com o uniforme sem essa publicidade para o jogo", explicou.

D’Urso destacou que os clubes internacionais precisam se adaptar quando atuam no Brasil para evitar penalidades. "Além da multa administrativa (para o Boca Juniors), se a Justiça brasileira for provocada em razão dessa violação, poderia haver uma decisão judicial proibindo, por exemplo, que isso ocorra novamente. Mas já existe a proibição em lei. Então, a decisão judicial só reforçaria uma coisa que está prevista nessa MP. Os clubes que vêm para o Brasil precisam mudar a publicidade na camisa para os jogos em território nacional. Eles precisam ou ocultar ou jogar com um uniforme onde não tenha a publicidade das bets", complementou o especialista, ressaltando ainda não ver responsabilidade direta da Conmebol na escolha do fardamento.

Por outro lado, o advogado Marcelo Robalinho, sócio do escritório RA Law, pontuou as complexidades da interpretação jurídica diante do contexto de transmissão internacional. "É importante sempre buscar o espírito da Lei, no caso da Medida Provisória, que é proibir a publicidade de uma atividade considerada ilícita no território nacional. Como a patrocinadora do Boca Juniors não tem operação no Brasil e não se tem notícia que esteja preparando-se para ter, tal publicidade, aparentemente, não tem o público brasileiro como alvo. Mas, novamente, é uma zona cinzenta", afirmou.

Robalinho também avaliou o impacto prático de eventuais medidas sancionatórias decorrentes do evento esportivo no Rio de Janeiro. "Contudo, temos que analisar o fato em concreto, que houve uma exposição da marca de uma empresa de apostas em solo brasileiro, em jogo oficial e com público presente e transmissão voltados ao público brasileiro, o que gera o que chamamos no Direito de zona cinzenta, ou seja, pode ser interpretada como publicidade direcionada ao Brasil, sujeita à proibição", detalhou o jurista.

Por fim, Robalinho indicou as instâncias competentes e as partes envolvidas caso haja desdobramentos na Justiça desportiva e cível nacional. "O Boca Juniors e a Conmebol, na qualidade de organizadora do evento, podem ser processados no Brasil, porém a efetividade dessas medidas tende a ser limitada. O Vasco da Gama também tem responsabilidade como mandante do jogo. Por se tratar de publicidade, os órgãos de defesa do consumidor, Ministério da Fazenda/SPA ou, em última instância, Judiciário brasileiro teriam competência para impor sanções", concluiu.

Perguntas frequentes

›Qual foi a irregularidade cometida pelo Boca Juniors no Maracanã?

O clube utilizou em seu uniforme a marca da casa de apostas Betsson, conduta que contraria a Medida Provisória em vigor no Brasil que proíbe a publicidade de empresas de apostas sem autorização local.

›Por que o Boca Juniors estampou a patrocinadora no uniforme?

O clube argentino tem a Betsson como patrocinadora máster por meio de um contrato firmado sob as leis da Argentina.

›Quais punições o clube pode enfrentar no Brasil?

Segundo especialistas, o Boca Juniors pode receber multas administrativas de órgãos de defesa do consumidor, do Ministério da Fazenda/SPA ou enfrentar decisões judiciais proibindo nova veiculação da marca em território nacional.

›Outras entidades podem ser responsabilizadas pela exposição da marca?

De acordo com especialistas ouvidos, a Conmebol, como organizadora do torneio, e o Vasco, na condição de mandante, podem ser acionados no Brasil, embora a efetividade dessas ações possa ser restrita.

Redação Vozes ParanaensesNacional · PR
Corrigir esta matériaPolítica editorialConteúdo produzido com assistência de IA e revisão humana.
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