Agro brasileiro deve priorizar diálogo com os EUA para frear tarifas

Publicado em 27/10/2026 às 14:08
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Competitividade em soja e carnes gera pressão comercial em Washington, aponta professor de relações internacionais

Os fatos

Quem
Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM
O quê
Afirmou que a primeira missão do quarto governo Luiz Inácio Lula da Silva para a política comercial do agronegócio deverá ser manter proximidade com os Estados Unidos para evitar o agravamento de disputas tarifárias
Quando
2026-10-27T16:07:06Z
Onde
Brasil e Estados Unidos
Por quê
A competitividade do agronegócio brasileiro é vista como fator de pressão sobre produtores norte-americanos, que enfrentam endividamento e aumento de falências, influenciando medidas tarifárias e investigações com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA
Como
Por meio de atuação diplomática demonstrando que há espaço para a atuação de ambos os países no mercado internacional, aproveitando a relação entre Lula e Donald Trump

O Brasil precisa priorizar a aproximação com os Estados Unidos para conter o avanço de disputas tarifárias contra o agronegócio, afirmou nesta segunda-feira (27) o professor Leonardo Trevisan, da ESPM.

A recomendação decorre da forte pressão comercial sofrida por produtores rurais norte-americanos em Washington. O setor nos Estados Unidos enfrenta endividamento e viu os pedidos de falência subirem 40% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, o que impulsiona medidas de proteção e investigações sob a Seção 301 da legislação local.

"Essa é a primeira tarefa que temos no governo Lula: de algum modo mantermos proximidade com os EUA para que isso não agrave questões tarifárias que podem prejudicar bastante certos produtos brasileiros", destacou Trevisan.

Segundo o especialista, a liderança brasileira na exportação de grãos e proteínas animais é o principal catalisador desse atrito com o mercado norte-americano. A produção paranaense, que tem na soja e nas carnes pilares da economia regional e do envio externo, insere-se diretamente no centro desse cenário competitivo internacional.

"Temos muita força no agro, estamos praticamente capitaneando o mercado em soja, algodão e carne. E eu não tenho dúvida que boa parte das tarifas americanas tem uma razão essencial: a concorrência e eficiência do agro brasileiro. Temos que mostrar para eles que há mercado para todos, que de alguma forma esse ponto possa acalmar essa pressão do presidente Trump em relação às tarifas", apontou o professor.

A estratégia apontada envolve atuação diplomática direta para demonstrar que o mercado internacional comporta a atuação simultânea de ambos os países. A articulação deve explorar a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que "gosta do presidente Lula", fator político que Trevisan orienta que o Brasil deve "usar ao máximo" para conter barreiras.

Perguntas frequentes

›Por que os Estados Unidos estão pressionando comercialmente o agro brasileiro?

A eficiência e a concorrência do agronegócio brasileiro em itens como soja, carne e algodão geram pressão sobre os produtores norte-americanos. Além disso, os agricultores dos EUA enfrentam endividamento e um aumento de 40% nos pedidos de falência no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.

›Qual instrumento os Estados Unidos têm usado em disputas comerciais?

O país norte-americano tem influenciado medidas tarifárias e investigações com base na Seção 301 de sua legislação comercial.

›Como o governo brasileiro pode atuar para evitar novas tarifas?

A atuação recomendada é diplomática, demonstrando que há espaço internacional para os dois países e aproveitando a relação entre Lula e Donald Trump para negociar.

Redação Vozes ParanaensesNacional · PR
Corrigir esta matériaPolítica editorialConteúdo produzido com assistência de IA e revisão humana.
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