Lideranças indígenas e Funai cobram ações e plano contra garimpo ilegal no Senado
Audiência na Subcomissão dos Ianomâmis debateu contaminação da água e plano de R$ 37,3 milhões para recuperar áreas degradadas em território indígena.

Os fatos
- Quem
- Lideranças indígenas (Edson Baré, Waihiri Hekurari Yanomami), a presidente da Funai Lúcia Alberta Baré e a senadora Damares Alves
- O quê
- Cobrança por proteção às comunidades ianomâmis, ampliação do acesso à água potável e continuidade de políticas públicas, com apresentação de plano da Funai para recuperação de áreas degradadas pelo garimpo
- Quando
- Terça-feira (27)
- Onde
- Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami da CDH, Senado Federal, Brasília
- Por quê
- Degradação ambiental causada pelo garimpo ilegal, poluição por mercúrio, escassez de recursos hídricos potáveis e insegurança nas comunidades indígenas
- Como
- Por meio de audiência pública da Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami, ligada à Comissão de Direitos Humanos (CDH)
Lideranças indígenas e a Funai cobraram proteção e apresentaram plano contra a degradação ambiental no território ianomâmi, nesta terça-feira (27), em audiência no Senado Federal.
A discussão ocorreu na Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami, colegiado vinculado à Comissão de Direitos Humanos (CDH). A reunião tratou dos impactos do garimpo ilegal, que provocou poluição por mercúrio, escassez de fontes de água potável e insegurança nas comunidades da região.
Levantamentos apresentados durante a audiência apontam que a atividade garimpeira degradou 63,66 km² de florestas e cursos d'água entre 2016 e 2024. A extensão dos danos atinge 63,1% das localidades da reserva, o que corresponde a 256 das 406 comunidades existentes.
Para enfrentar a devastação, a Funai expôs um plano de restauração ecológica. A proposta estabelece a meta de recuperação de 356,7 hectares em um período de cinco anos, com previsão orçamentária de R$ 37,3 milhões. O planejamento prevê ainda a expansão das medidas para atingir até 1.057,8 hectares recuperados ao final de dez anos.
A presidente da Funai, Lúcia Alberta Baré, declarou que o órgão mantém o cronograma de iniciativas na região. "Todas as ações seguem sendo executadas na Terra Indígena Yanomami com muito compromisso, seriedade e diálogo com os povos indígenas. Em novembro, faremos uma oficina de prestação de contas para todas as lideranças da terra indígena, para que eles entendam a situação de cada um desses projetos", afirmou.
O diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, Edson Baré, pontuou que os serviços públicos ainda precisam alcançar as áreas mais isoladas. "De modo concreto, temos avanços, sim. As escolas e os professores, por exemplo. Mas a gente vem buscando métodos para levar as políticas todas a chegarem a quem mais precisa, na ponta. Uma preocupação premente é conseguirmos levar água potável a muitas das nossas regiões, uma vez que a existência de muita garimpagem acaba prejudicando a qualidade dos nossos recursos naturais", disse.
A necessidade de assistência em saúde e subsistência básica também foi reforçada pelo presidente da Urihi Associação Yanomami, Waihiri Hekurari Yanomami. "Precisamos, com certeza, do apoio do Congresso Nacional para sermos protegidos. Somente com o diálogo vamos conseguir nossos objetivos. Garantir segurança alimentar, proteção de crianças e mulheres, ações em saúde nas comunidades são exemplos de áreas que efetivamente precisamos", declarou.
A senadora Damares Alves, que preside a subcomissão e a CDH, informou que o colegiado mantém apurações técnicas em andamento e programou atividades fora de Brasília. "Esta subcomissão criou um grupo de trabalho que está se reunindo, e em pleno funcionamento. Além dessas audiências, temos nos reunido na busca de dados, informações, relatórios. E quero informar também que, nesta semana, estaremos no Amazonas, em São Gabriel da Cachoeira, para, in loco, fazer uma audiência pública e ouvir as autoridades também lá", afirmou.
Perguntas frequentes
›Qual é a área total degradada pelo garimpo na Terra Indígena Yanomami?
Entre 2016 e 2024, o garimpo ilegal degradou 63,66 km² de florestas e cursos d'água, afetando 63,1% das comunidades (256 das 406 existentes).
›Qual é o valor previsto pelo plano de recuperação da Funai?
O plano prevê um investimento de R$ 37,3 milhões em cinco anos para recuperar 356,7 hectares, com meta de alcançar até 1.057,8 hectares em dez anos.
›Quais foram as principais reivindicações das lideranças indígenas?
As lideranças cobraram proteção territorial, garantia de segurança alimentar, ações de saúde para mulheres e crianças e ampliação do acesso à água potável.
›Qual será o próximo passo anunciado pela subcomissão do Senado?
A senadora Damares Alves anunciou que a subcomissão realizará uma audiência pública in loco em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, para ouvir autoridades locais.







