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O helicóptero, os fantasmas e as novas companhias

A campanha começa a esquentar no Paraná. E, quando esquenta, aparece de tudo: helicóptero, decisão judicial, velho desafeto, memória seletiva e até fantasma político saindo do Diário Oficial. É campanha.

07 de agosto de 2026

No ar, sob investigação

O Tribunal de Contas do Estado recebeu denúncia sobre possível uso de helicóptero , supostamente público, em agenda de Sandro Alex. A apuração dirá se houve irregularidade. Politicamente, porém, o estrago começa antes da sentença. Helicóptero, símbolo de poder econômico, e campanha eleitoral são duas expressões que não gostam de aparecer na mesma frase. Principalmente em ano de eleição.

Moro no ataque

O TRE do Paraná mandou retirar publicações contra Sergio Moro depois de reconhecer, segundo decisão divulgada pela imprensa, a existência de conteúdo falso. A guerra digital entrou de vez na eleição. Moro conhece esse terreno. Já foi juiz, ministro, alvo, candidato e agora volta a ocupar o papel de personagem central da disputa paranaense. Na primeira decisão, o TRE-PR julgou procedente uma representação apresentada pelo Partido Liberal (PL) contra Julio Cesar de Paula Rodrigues, apontado como responsável pela divulgação de um vídeo manipulado com uso de inteligência artificial.

Porta fechada

Dias Toffoli negou pedido que poderia abrir caminho para a candidatura de um desafeto de Moro. Na política, há derrotas que valem mais pelo simbolismo do que pelo número de votos envolvidos. O adversário não entrou em campo. Tony Garcia foi vetado.

Cristina, Kassab e os Diários Secretos

O que a candidata ao senado Cristina Graeml anota em seu diário secreto ninguém sabe, mas é público que ela afirma ter participado da equipe jornalística que investigou os Diários Secretos da Assembleia Legislativa. Seria uma credencial importante. O episódio, revelado em 2010, expôs um dos maiores escândalos da história política do Paraná: funcionários fantasmas, publicações ocultas e uma máquina montada dentro do Legislativo para esconder nomeações e movimentação de dinheiro público. A história é conhecida. Mas o presente é tornou tudo mais interessante. Cristina está hoje no PSD de Gilberto Kassab, personagem que durante muito tempo ela detratou. Mais. Agora é "dobrada" na disputado pelo senado com Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa. Agora também está do lado de Ademar Traiano, uma das figuras mais longevas do poder na Casa. Não existe ilegalidade nisso. Existe política. E política também é feita de fotografia, memória e conveniência. A candidata que apresenta como ativo eleitoral sua ligação com a investigação de um escândalo da Assembleia agora precisa explicar ao eleitor como enxerga seus novos companheiros de caminhada. Talvez seja apenas pragmatismo. No Brasil, pragmatismo é o nome elegante que a política encontrou para certas mudanças de endereço.

O tabuleiro

Moro tenta transformar ataques em combustível. Sandro Alex precisa impedir que uma denúncia ganhe altitude. Cristina Graeml terá de conciliar o discurso de ontem com as alianças de hoje. E a Assembleia continua no centro de boa parte dos movimentos. É cedo para saber quem sairá ganhando. Mas uma coisa já está clara: no Paraná, a campanha não será disputada apenas entre candidatos. Será disputada também entre versões do passado. E passado, como se sabe, não vota. Mas dá um trabalho danado em época de eleição.

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