AI Act da União Europeia já alcança empresas brasileiras, mesmo sem sede na Europa

Publicado em 13/09/2026 às 21:45
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Obrigações de transparência tornaram-se exigíveis em 2 de agosto; no Brasil, o projeto de lei equivalente segue travado no Congresso por vício de constitucionalidade

AI Act da União Europeia já alcança empresas brasileiras, mesmo sem sede na Europa

Os fatos

Quem
Fornecedores de sistemas de IA (incluindo empresas brasileiras); União Europeia; AI Office da Comissão Europeia; Parlamento Europeu e Conselho; Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD); Poder Executivo; Congresso Nacional; advogados especializados em regulação de tecnologia
O quê
As obrigações de transparência do AI Act da União Europeia tornaram-se exigíveis, alcançando empresas brasileiras que atuam no mercado europeu. Há um projeto de lei (PL 2.338/2023) sobre IA no Brasil que está travado devido a um vício de constitucionalidade.
Quando
Desde 2 de agosto de 2026 (obrigações de transparência do AI Act); 2024 (aprovação do AI Act); Até 2 de dezembro de 2026 (prazo para marcação legível por máquina para sistemas existentes); 2025 para 2026 (adiamento da votação final do PL brasileiro); Dezembro de 2025 (encaminhamento de projeto de lei complementar pelo Executivo)
Onde
União Europeia; Brasil (Congresso)
Por quê
Para regular a inteligência artificial (AI Act); para evitar questionamento de inconstitucionalidade (travamento do PL 2.338/2023); para formalizar o papel da ANPD (projeto de lei complementar)
Como
Através do Regulamento (UE) 2024/1689 (AI Act); com sanções e multas expressivas; por meio de fiscalização do AI Office; no Brasil, através da tramitação de um projeto de lei (PL 2.338/2023) e um projeto de lei complementar que cria o Sistema Nacional para Desenvolvimento, Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA)

Desde 2 de agosto de 2026, as obrigações de transparência da Lei de Inteligência Artificial da União Europeia (AI Act) tornaram-se exigíveis — e o alcance da norma não se limita a empresas europeias. Segundo análise jurídica publicada por especialistas em direito digital, qualquer fornecedor cujo sistema de IA seja usado no mercado europeu está sujeito às sanções previstas, independentemente de ter sede, filial ou servidor na Europa. Na prática, isso significa que empresas brasileiras que oferecem produtos ou serviços de IA a clientes europeus já precisam cumprir a legislação, mesmo que o Brasil ainda não tenha uma lei equivalente em vigor.

O AI Act — Regulamento (UE) 2024/1689, aprovado em 2024 pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho — é descrito como a primeira regulação geral de inteligência artificial do mundo. Na mesma data em que as obrigações de transparência passaram a valer, o AI Office da Comissão Europeia também ganhou poderes formais de fiscalização sobre fornecedores de modelos de propósito geral, com multas que já podem ser aplicadas. Os valores previstos são expressivos: práticas proibidas podem custar até 35 milhões de euros ou 7% do faturamento global anual da empresa infratora — o que for maior. O descumprimento de deveres de fornecedor ou usuário pode custar até 15 milhões de euros ou 3% do faturamento, e prestar informação enganosa ao regulador pode custar até 7,5 milhões de euros ou 1%.

Sistemas que já estavam no mercado europeu antes da nova exigência não ficaram isentos: a marcação legível por máquina desses sistemas — identificação técnica que permite rastrear que o conteúdo foi gerado ou processado por IA — passa a ser exigida até 2 de dezembro de 2026, dando um prazo de adequação, mas não uma isenção permanente.

Enquanto a Europa já aplica sua legislação, o Brasil segue em fase de tramitação. O PL 2.338/2023, que adota classificação de risco inspirada no modelo europeu (considerando de alto risco sistemas usados em infraestrutura crítica, educação, emprego, serviços essenciais, administração da justiça e processos democráticos), teve sua votação final adiada de 2025 para 2026 em razão de um impasse técnico: o texto aprovado pelo Senado atribuiu à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) competências normativas que, segundo o Poder Executivo, são de iniciativa privativa do próprio Executivo — um vício que, se mantido, exporia a lei a questionamento de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal.

Para sanar o problema, o Executivo encaminhou ao Congresso, em dezembro de 2025, um projeto de lei complementar que cria o Sistema Nacional para Desenvolvimento, Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA) e formaliza o papel da ANPD como coordenadora desse sistema. Esse novo projeto deve ser apensado ao PL 2.338/2023 antes da votação final, o que adiciona mais uma camada de complexidade e tempo à tramitação.

O resultado prático desse descompasso, segundo advogados especializados em regulação de tecnologia, é que empresas brasileiras já operam sob dupla pressão regulatória: de um lado, a legislação europeia, que já produz efeito extraterritorial mensurável; de outro, a expectativa de uma legislação brasileira ainda sem data definida para entrar em vigor — um cenário que tende a se estender enquanto o Congresso não resolver o entrave constitucional que trava o projeto nacional.

Perguntas frequentes

›O que é o AI Act da União Europeia?

O AI Act é a Lei de Inteligência Artificial da União Europeia (Regulamento (UE) 2024/1689), aprovada em 2024, descrita como a primeira regulação geral de inteligência artificial do mundo.

›Quando as obrigações de transparência do AI Act se tornaram exigíveis?

As obrigações de transparência do AI Act tornaram-se exigíveis a partir de 2 de agosto de 2026.

›O AI Act afeta empresas brasileiras?

Sim, o AI Act afeta empresas brasileiras. Qualquer fornecedor cujo sistema de IA seja usado no mercado europeu está sujeito às suas sanções, independentemente de ter sede, filial ou servidor na Europa.

›Quais são as multas previstas pelo AI Act?

As multas podem ser de até 35 milhões de euros ou 7% do faturamento global anual para práticas proibidas, até 15 milhões de euros ou 3% do faturamento por descumprimento de deveres de fornecedor/usuário, e até 7,5 milhões de euros ou 1% por prestar informação enganosa ao regulador.

›Existe uma lei de inteligência artificial no Brasil?

Existe um projeto de lei (PL 2.338/2023) que tramita no Congresso, mas ainda não é uma lei em vigor. Sua votação final foi adiada de 2025 para 2026 devido a um impasse constitucional.

›Por que o projeto de lei de IA brasileiro está travado?

O projeto de lei de IA brasileiro está travado porque o texto aprovado pelo Senado atribuiu à ANPD competências normativas que, segundo o Poder Executivo, são de iniciativa privativa do próprio Executivo, criando um vício de constitucionalidade.

›Qual é a classificação de risco no projeto de lei brasileiro?

O PL 2.338/2023 adota uma classificação de risco inspirada no modelo europeu, considerando de alto risco sistemas usados em infraestrutura crítica, educação, emprego, serviços essenciais, administração da justiça e processos democráticos.

Redação Vozes ParanaensesNacional · PR
Corrigir esta matériaPolítica editorialConteúdo produzido com assistência de IA e revisão humana.
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