Novo plano de contingência para eventos de saúde pública entra em vigor nos portos
Documento atualizado pela Portos do Paraná e Anvisa adota abordagem sindrômica e estabelece fluxo de atendimento para tripulantes com sintomas.

Os fatos
- Quem
- Portos do Paraná e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
- O quê
- Entrada em vigor do novo Plano de Contingência para Eventos de Saúde Pública (PCESP) nos portos do Paraná
- Quando
- Terça-feira (03)
- Onde
- Paranaguá, nos portos do Paraná
- Por quê
- Mudança nas normas da Anvisa decorrente da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 932/2024, que tornou obrigatória a implementação e a manutenção de planos de contingência pelas administrações portuárias e aeroportuárias
- Como
- Por meio de revisão integral dos fluxos de atendimento, adoção de abordagem sindrômica na avaliação de sintomas de tripulantes, reuniões com serviços de saúde, workshop com a comunidade portuária e programação de simulados anuais
O novo Plano de Contingência para Eventos de Saúde Pública (PCESP) entrou em vigor nos portos do Paraná nesta terça-feira (03), em Paranaguá, sob gestão da Portos do Paraná e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
A atualização decorre da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 932/2024 da Anvisa, editada em 10 de outubro de 2024. A norma federal tornou obrigatória a implementação e a manutenção contínua de planos de contingência sanitária pelas administrações portuárias e aeroportuárias de todo o país.
Para estruturar as novas rotinas operacionais, a administração portuária realizou uma revisão integral dos fluxos de atendimento, promoveu reuniões com serviços de saúde e organizou workshop com a comunidade portuária. O documento anterior contava com histórico de mais de 10 anos sem reformulação desse porte.
"Antes era uma atribuição que ficava unicamente a cargo da Anvisa. Agora é uma responsabilidade que foi repassada aos portos, mas que fica sob supervisão, colaboração e auxílio, e também cobrança e fiscalização por parte da Anvisa", explicou Roberto Busato Filho, chefe do Posto da Anvisa em Paranaguá.
Uma das principais alterações técnicas é o uso da abordagem sindrômica para a análise inicial do quadro clínico relatado a bordo. O modelo permite organizar os procedimentos de contenção e isolamento antes mesmo do diagnóstico laboratorial definitivo.
"Mudamos todos os fluxos de atendimento, tornando-os mais simples de entender, mais lógicos, em um formato que todos entendam o que fazer em cada momento do atendimento. Revisamos as diretrizes e os métodos, para ter um plano novo, robusto e melhor aplicável à realidade que a gente vive", afirmou Felipe Zacharias, colaborador da Portos do Paraná e coordenador do Comitê de Contingência para Eventos de Saúde Pública.
Zacharias ressaltou ainda o funcionamento prático da triagem inicial. "Caso o comandante notifique que algum tripulante tenha sintomas, já fazemos o enquadramento com base no nosso plano. Com a abordagem sindrômica, será feita a análise dos sintomas e então se estabelece uma metodologia de atendimento. A identificação do tipo da doença só ocorrerá quando o tripulante estiver no hospital", pontuou.
O setor operacional do cais destacou a relevância da medida para o cotidiano dos trabalhadores. "O plano é essencial para a comunidade portuária, para o atendimento rápido em situações de emergências, principalmente no caso de epidemias. Agora vamos baixar o conteúdo, levar esse material para nossa enfermeira do trabalho e ser multiplicadores para todos os colaboradores da nossa empresa", relatou Nelson Nunes da Conceição, técnico em segurança do trabalho pleno do Terminal ALTP.
Para garantir a eficácia operacional das medidas, o plano será submetido a exercícios práticos periódicos. "Como a atividade portuária é dinâmica e as doenças são dinâmicas, a Anvisa determina que o plano precisará ser anualmente testado, para analisar se ele está sendo eficaz o suficiente para responder a eventuais crises sanitárias. Já está previsto o simulado, que vai testar a nossa capacidade de resposta a um caso fictício de emergência em saúde pública", detalhou Busato Filho. O primeiro simulado está previsto para o início de dezembro.
Perguntas frequentes
›O que motivou a mudança no plano de saúde dos portos?
A atualização atende à RDC nº 932/2024 da Anvisa, que tornou obrigatória a implementação e a manutenção de planos de contingência pelas próprias administrações portuárias.
›Como funcionará a abordagem sindrômica para tripulantes?
A análise inicial enquadra os sintomas notificados pelo comandante em uma metodologia de atendimento prévia, sendo que a confirmação do tipo exato da doença ocorre apenas quando o paciente estiver no hospital.
›Quando será realizado o primeiro teste prático do plano?
A previsão informada pelos responsáveis é de que o primeiro simulado com caso fictício de emergência ocorra no início de dezembro.










