Pesquisa da Unioeste de Toledo sobre cimento sustentável ganha prêmio nacional
Estudo com argilas do Oeste do Paraná venceu a categoria de Melhor Artigo do Ano no 67° Congresso Brasileiro de Concreto e recebeu R$ 5 mil.
Os fatos
- Quem
- Allan Thierry Branco Torres (pesquisador e egresso do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Unioeste, campus Toledo)
- O quê
- Venceu o prêmio Maria Alba Cincotto de Melhor Artigo do Ano com pesquisa sobre cimento sustentável derivado de argilas do Oeste do Paraná
- Quando
- Outubro
- Onde
- Natal (RN)
- Por quê
- Por propor alternativas para reduzir o impacto ambiental da produção de cimento convencional por meio do cimento LC3, utilizando argilas abundantes da região Oeste do Paraná
- Como
- Através do artigo 'Caracterização e avaliação mecânica de pastas LC3 produzidas com argilas calcinadas regionais', derivado de sua dissertação de mestrado orientada por Cleber A. Lindino
O pesquisador Allan Thierry Branco Torres, egresso da Unioeste de Toledo, venceu em outubro o prêmio de Melhor Artigo do Ano no 67° Congresso Brasileiro de Concreto, em Natal (RN).
A distinção foi concedida pelo Prêmio Maria Alba Cincotto ao trabalho intitulado "Caracterização e avaliação mecânica de pastas LC3 produzidas com argilas calcinadas regionais". O artigo deriva de sua dissertação no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), sob orientação do professor Cleber A. Lindino, e rendeu R$ 5 mil ao pesquisador.
O estudo investiga alternativas para reduzir o impacto ambiental severo da indústria cimenteira convencional. Atualmente, a fabricação do insumo responde por 7% a 8% das emissões globais de gás carbônico. O cimento Portland tradicional utiliza entre 85% e 90% de clínquer em sua composição, material cuja queima atinge temperaturas de cerca de 1.400 graus.
"A intenção de pesquisar essas argilas é que o processo de produção do cimento Portland convencional é um dos mais prejudiciais ao meio ambiente, é um dos processos que mais emitem dióxido de carbono para a atmosfera, e existe uma vertente de estudo de novo tipo de cimento alternativo de baixo impacto ambiental, que é o cimento LC3", explicou Torres.
A tecnologia do cimento LC3 reconfigura essa proporção: utiliza apenas 50% de clínquer, combinando 30% de argila calcinada, 15% de fíler calcário e 5% de gesso. A pesquisa paranaense testou a viabilidade técnica a partir de jazidas locais abundantes no Oeste do estado, abrangendo coletas e referências ligadas a polos regionais como Toledo, Palotina, Santa Helena, Guaíra e Entre Rios do Oeste, com interfaces analíticas também em Londrina.
A coordenadora do PPGCA, Cleide Viviane Buzanello, ressaltou a relevância da matéria-prima estudada, definindo a iniciativa de forma direta: "Ou seja, matéria-prima local, barata e disponível".
Segundo Torres, o diferencial do artigo perante a comunidade técnica internacional está na precisão dos ensaios de laboratório. "Tem muita gente no mundo todo pesquisando esse tipo de cimento. E não é todo mundo que faz todos os ensaios de caracterização que eu consegui fazer. Embora eu esteja pesquisando uma argila do oeste do estado do Paraná, no interior do país, com certeza quando o artigo for publicado, vai chamar a atenção de pesquisadores da Ásia, da Índia, da China, porque todos eles estão pesquisando a mesma coisa. E o meu está com os pontos de caracterização muito aprofundados, então, com certeza vai ser um diferencial para o trabalho", afirmou o autor.
Para o orientador Cleber A. Lindino, o prêmio atesta o modelo de formação científica aplicado na universidade pública estadual. "Os discentes neste Programa são estimulados a uma visão interdisciplinar do ecossistema natural e a pensar sua profissão como promotora de um ambiente saudável. O prêmio conquistado evidencia não só a qualidade técnica do artigo, mas também sua sinergia com o ambiente em que nos inserimos", destacou Lindino.
Perguntas frequentes
›Qual premiação a pesquisa da Unioeste recebeu?
O trabalho venceu o Prêmio Maria Alba Cincotto de Melhor Artigo do Ano durante o 67° Congresso Brasileiro de Concreto, realizado em Natal (RN), acompanhado de uma premiação de R$ 5 mil.
›O que propõe a pesquisa desenvolvida em Toledo?
A pesquisa propõe a formulação do cimento sustentável LC3 utilizando argilas abundantes da região Oeste do Paraná, substituindo parte do clínquer para diminuir a queima energética e as emissões de dióxido de carbono.
›Qual é a composição do cimento sustentável LC3 analisado no estudo?
A formulação do cimento LC3 é composta por 50% de clínquer, 30% de argila calcinada, 15% de fíler calcário e 5% de gesso, contrastando com o cimento tradicional, que utiliza de 85% a 90% de clínquer queimado a cerca de 1.400 graus.







