Primeiro transplante renal robótico do Sul com doador falecido é realizado

Publicado em 30/10/2026 às 23:08
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Procedimento inédito utilizou o sistema Da Vinci X no Hospital São Marcelino Champagnat em cirurgia de 180 minutos sem novas incisões abdominais.

Os fatos

Quem
A dentista Jessica Gama de Oliveira (36 anos) e a equipe médica liderada pelo urologista Aníbal Branco e pelo nefrologista Rafael Piné
O quê
Realização do primeiro transplante renal robótico do Sul do Brasil com órgão de doador falecido
Quando
Publicado em 30 de outubro de 2026; paciente entrou na lista de espera em 21 de agosto e o procedimento ocorreu em uma madrugada de sábado após 48 horas de espera
Onde
Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR)
Por quê
A paciente desenvolveu lúpus diagnosticado em março de 2024, condição que comprometeu seus rins e a manteve em hemodiálise por cerca de dois anos e meio até reunir condições clínicas para o transplante
Como
Procedimento realizado com o sistema cirúrgico robótico Da Vinci X, com duração de 180 minutos (sendo 165 minutos com o robô), aproveitando uma cicatriz prévia de cesárea da paciente para evitar nova incisão abdominal

A dentista Jessica Gama de Oliveira, de 36 anos, recebeu em Curitiba o primeiro transplante renal robótico do Sul do Brasil realizado com órgão de doador falecido.

A intervenção foi conduzida no Hospital São Marcelino Champagnat por uma equipe liderada pelo urologista Aníbal Branco e pelo nefrologista Rafael Piné. O transplante ocorreu em uma madrugada de sábado, com início à meia-noite, apenas 48 horas após a paciente ingressar oficialmente na lista de espera, em 21 de agosto.

A paciente enfrentava falência renal decorrente do lúpus, condição diagnosticada em março de 2024 que exigiu 21 dias de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no período inicial. Desde então, Jessica permaneceu em hemodiálise por cerca de dois anos e meio até reunir parâmetros clínicos adequados para a cirurgia. "Eu nem contava que seria tão rápido conseguir um rim. Ganhei na loteria", afirmou a dentista.

A cirurgia durou cerca de 180 minutos, sendo 165 minutos operados com o sistema robótico Da Vinci X. Para introduzir o órgão e realizar as suturas vasculares e urinárias, os médicos aproveitaram uma cicatriz prévia de cesárea da paciente, evitando novas incisões na musculatura abdominal.

Segundo o urologista Aníbal Branco, a técnica robótica reduz danos aos tecidos em comparação ao método tradicional aberto. "A principal diferença está no tamanho da incisão. Em vez de uma cicatriz grande, conseguimos uma abordagem muito menor e sem cortar músculos. Isso pode significar menos dor, menor risco de complicações na parede abdominal e recuperação mais rápida", explicou o cirurgião. O médico destacou ainda o desafio logístico para viabilizar o transplante com doador falecido: "É preciso ter equipe de enfermagem, cirurgia robótica, UTI e nefrologia disponíveis 24 horas por dia. Nesse caso, a cirurgia começou à meia-noite de um sábado".

Após o procedimento, a paciente permaneceu internada por seis dias antes de receber alta hospitalar. "O procedimento foi muito tranquilo e a recuperação muito boa, quase sem dor nenhuma. O transplante deu outro norte à minha vida, tudo melhorou do dia para a noite. A doação de órgãos é muito importante, e sou muito grata à família que permitiu que meus sonhos seguissem em frente", relatou Jessica.

O hospital atingiu recentemente a marca de 2.000 cirurgias robóticas realizadas em diferentes especialidades. Para a equipe médica, o caso abre precedentes para estender a técnica a perfis específicos de transplantados. "A nossa intenção é ampliar o uso da cirurgia robótica para pacientes que possam se beneficiar especialmente dessa abordagem, como pessoas com obesidade ou que já tenham passado por múltiplas cirurgias, à medida que a técnica se torne mais acessível no Brasil", apontou o nefrologista Rafael Piné. Aníbal Branco complementou que a expectativa é de expansão contínua: "A tendência é que façamos cada vez mais transplantes renais por cirurgia robótica. Com o tempo, a expectativa é que essa tecnologia esteja mais disponível e possa ser utilizada em um número maior de casos".

Perguntas frequentes

›Qual tecnologia foi utilizada no transplante renal robótico?

A equipe médica utilizou o sistema cirúrgico robótico Da Vinci X, operando com o equipamento durante 165 dos 180 minutos de duração total do procedimento.

›Como foi feita a incisão para a colocação do rim?

Os cirurgiões aproveitaram uma cicatriz prévia de cesárea da paciente, o que evitou novos cortes nos músculos abdominais e reduziu o risco de complicações.

›Quanto tempo a paciente esperou na fila do transplante?

A paciente aguardou 48 horas na lista de espera após ter sido incluída oficialmente em 21 de agosto, depois de passar cerca de dois anos e meio em tratamento por hemodiálise.

›Quanto tempo durou a internação após o procedimento?

A paciente teve alta médica após seis dias de internação pós-cirúrgica no Hospital São Marcelino Champagnat.

Redação Vozes ParanaensesMetropolitana · PR
Corrigir esta matériaPolítica editorialConteúdo produzido com assistência de IA e revisão humana.
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