Brasil acionará Lei da Reciprocidade contra tarifas de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros
Decisão ocorre após o USTR anunciar novas taxas, alegando práticas comerciais desleais; governo brasileiro repudiou a medida e iniciará trâmites junto à OMC.

Os fatos
- Quem
- Governo brasileiro; Presidente Lula; Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR); Presidente americano, Donald Trump; Ministro da Fazenda, Dario Durigan; Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa; Palácio do Planalto; Itamaraty; Camex (Câmara de Comércio Exterior)
- O quê
- O governo brasileiro pretende usar a Lei da Reciprocidade Econômica contra um novo tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos. O USTR anunciou o fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras e a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA. O governo brasileiro repudiou a decisão e iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Uma ala do governo brasileiro teme retaliação dos EUA caso o Brasil confirme a reciprocidade.
- Quando
- quinta-feira (16/07); 2025 (assinatura do decreto e sanção da lei); 22 de julho (entrada em vigor da tarifa americana); abril de 2025 (aprovação da lei no Congresso); julho do mesmo ano (sanção da lei); terça-feira (14/07, antes do anúncio oficial das novas tarifas americanas); No ano passado (início de procedimento semelhante pela Camex)
- Onde
- Brasil; Estados Unidos; Washington
- Por quê
- Os Estados Unidos alegam práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento para justificar as tarifas. O Brasil acionará a Lei da Reciprocidade em resposta às tarifas americanas.
- Como
- O governo brasileiro iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). A Lei de Reciprocidade Econômica pode ser utilizada em três circunstâncias: quando um país ou bloco econômico ameaçar ou impuser barreiras comerciais, financeiras ou de investimentos com o objetivo de interferir em decisões soberanas do Brasil; se um país ou bloco econômico violar termos de um acordo comercial com o Brasil; ou pela imposição de medidas comerciais baseadas em exigências ambientais mais restritivas que as previstas pela lei brasileira. O Itamaraty acionará formalmente a Camex, que abrirá um processo para verificar se as alíquotas aplicadas por Washington se enquadram nos critérios da lei.
O governo brasileiro iniciará os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em resposta a um novo tarifaço anunciado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na quinta-feira (16/07). A medida americana impõe tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, com entrada em vigor prevista para 22 de julho.
Os Estados Unidos justificam as tarifas alegando práticas como favorecimento ao Pix, restrições ao acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento no Brasil. Em contrapartida, o governo brasileiro repudiou a decisão e acionará a Lei de Reciprocidade junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, pode ser utilizada em três circunstâncias: quando um país ou bloco econômico ameaçar ou impuser barreiras comerciais, financeiras ou de investimentos com o objetivo de interferir em decisões soberanas do Brasil; se um país ou bloco econômico violar termos de um acordo comercial com o Brasil; ou pela imposição de medidas comerciais baseadas em exigências ambientais mais restritivas que as previstas pela lei brasileira.
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou a situação: "A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade. Tudo isso dentro de um cenário de avaliação cautelosa".
O Itamaraty acionará formalmente a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que abrirá um processo para verificar se as alíquotas aplicadas por Washington se enquadram nos critérios da lei. No ano passado, a Camex já havia iniciado um procedimento semelhante.
Uma ala do governo brasileiro, no entanto, expressa preocupação com uma possível retaliação dos EUA caso o Brasil confirme a reciprocidade. O USTR já havia alertado que "uma ação do Brasil que aumente o ônus ou as restrições ao comércio dos Estados Unidos — como a elevação de tarifas sobre produtos norte-americanos, em vez de atender às preocupações dos EUA com as práticas consideradas desleais identificadas na investigação — pode indicar que a medida adotada pelos EUA nesse nível não é suficiente para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas do Brasil considerados passíveis de ação nesta investigação".
Perguntas frequentes
›Por que os Estados Unidos impuseram novas tarifas ao Brasil?
Os Estados Unidos alegam práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento para justificar as tarifas.
›Qual o percentual das novas tarifas americanas?
O USTR anunciou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA.
›Como o Brasil responderá às tarifas americanas?
O governo brasileiro iniciará os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
›Quando as tarifas americanas entrarão em vigor?
A entrada em vigor da tarifa americana está prevista para 22 de julho.
›Quais são as condições para o Brasil usar a Lei da Reciprocidade Econômica?
A lei pode ser usada quando um país ameaçar ou impuser barreiras comerciais, financeiras ou de investimentos para interferir em decisões soberanas do Brasil; se violar termos de um acordo comercial; ou pela imposição de medidas comerciais baseadas em exigências ambientais mais restritivas que as previstas pela lei brasileira.








